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arte · 28.02.2026 · 2 min de leitura

Do primeiro protótipo ao WHITE de Milão

Dal primo prototipo al WHITE di Milano

Era 2014. Para trás tinha meses de protótipos deitados fora e uma coisa que finalmente funcionava: a moldura oval que segura o cameo e te deixa trocá-lo em dez segundos.

Sabia que funcionava. Não sabia se interessava a alguém além de mim.

A aposta: o WHITE de Milão

Não procurava uma montra qualquer. Apontava ao WHITE, que é onde os compradores internacionais vão procurar a moda contemporânea antes de ela chegar às lojas. Candidatei-me ao espaço dedicado aos designers emergentes, e fui selecionada.

Cheguei com três bolsas: Zoje, Bavoll, Maraveja. Nomes bolonheses, e um material que ninguém usava para bolsas — fibra celulósica, nada de pele. O cameo intercambiável já lá estava, desde o primeiro dia.

O clique

Montar um espaço com o teu apelido por cima, pela primeira vez, é uma coisa que fica contigo. Mas o que recordo melhor aconteceu depois, quando abriram as portas.

Os compradores passam diante de milhares de bolsas em três dias: olham, tocam, seguem em frente. Diante do balcão paravam, puxavam a moldura, ouviam os três estalidos e voltavam a pô-la no lugar. Depois faziam-no uma segunda vez.

Não era o material que os fazia parar. Era o facto de a bolsa mudar nas mãos deles.

O regresso a Bolonha

Dessa feira voltei com as primeiras encomendas e com uma coisa que antes não tinha: a prova de que a ideia se aguentava fora do meu laboratório.

No ano seguinte nasceu a Night, a primeira em pele, e abri a loja na Via d'Azeglio. As primeiras encomendas fora de Itália chegariam em 2018, da Rússia e dos Estados Unidos.

Mas a moldura que aqueles compradores puxaram em 2014 é a mesma de hoje. A medida nunca mudou.